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21/08/2012
Regra 02 das 5 regras de ouro em diagnóstico psicopedagógico

“5 regras de ouro em diagnóstico psicopedagógico”

Prof. Chafic Jbeili

 

Na regra #1 eu compartilhei com você, como paguei um preço muito alto por erros banais no processo de diagnóstico que me custaram muitos clientes e também muitas oportunidades de aprendizado. Agora quero compartilhar um segundo segredo que aprendi com meus mestres sobre “assertividade na formulação de hipóteses”.

 

Regra #2:

 

Depois de ter feito o melhor primeiro contato possível é hora de elencar algumas hipóteses sobre a causa dos problemas, relatados pelo cliente.

 

A palavra hipótese é de origem grega hypóthesis, que significa suposição. Supor algo é o mesmo que ter esse algo como verdadeiro, mesmo sendo falso. A(s) hipótese(s) é(são) a(s) primeira(s) explicação(ões) mais plausível(is) para determinarmos uma eventual causa dos problemas relatados pelo cliente. 

 

A assertividade na formulação das hipóteses é muito importante para nortear as ações de investigação, pois a partir da listagem de possíveis causas o psicopedagogo poderá colocar em prática suas teorias, técnicas e experiências na intenção de confirmar ou descartar essas prováveis causas dos problemas. Contudo, é preciso ter muito cuidado com a formulação e comunicação de hipóteses.

 

Certa vez uma profissional muito experiente, porém, mesmo no auge de seu esgotamento físico e mental depois de um dia tribuloso de trabalho, decidiu atender informalmente uma mãe que clamava pela dificuldade de sua filha. Os nomes são fictícios para preservação da identidade das pessoas envolvidas. Foi mais ou menos assim, como me lembro:

 

Mãe: dra MM, que bom vê-la por aqui (saída da clínica), a senhora precisa muito dar um jeito na minha filha!

 

MM: Não precisa me chamar de doutora, pois sabe que não sou médica e ainda estou concluindo meu doutorado. Mas me diga o que tem a sua filha?

 

Mãe: Ela “tá” muito quieta, não quer saber de estudar, nem arrumar casa, não me ajuda em nada. Suas notas na escola vão de mal a pior e desse jeito vai ser reprovada, com certeza.

 

MM: Qual a idade dela?

 

Mãe: 17!

 

MM: Eu conheço algumas pessoas de sua família e sei que vocês mimam muito suas crianças. Sua filha é adolescente e deve estar sentindo falta do pai (o casal era separado). Você está colhendo o que plantou durante 17 anos de mimo desta criança que agora é adolescente. “Tá” parecendo mais um caso típico de manha e falta de disciplina em casa. Nada que umas boas regras e um bom corretivo não dêem jeito. Sua filha não precisa de psicopedagoga, precisa de um pai firme que lhe coloque no seu devido lugar. Você poderia deixá-la com o pai por uns tempos ou arrumar logo um namorado para te ajudar a educá-la.

 

Mãe: Uau! Não sabia que a senhora, além de psicopedagoga também era aprendiz de adivinha! Puxa vida! Como pode avaliar tantas pessoas com tanta certeza e em tão pouco tempo? Vai a m. você e sua psicopedagogia. Eu preciso de orientação profissional e não de namorado ou de lição de moral sobre minha criação...

 

Realmente foi um encontro trágico para todos! E não vou desperdiçar o seu tempo analisando a colega.

 

Contudo, há outros casos que acontecem diariamente a exemplo de crianças agitadas e cujas “hipóteses” precoces, na base do “achismo”, são de hiperatividade. Nem sempre! Se alguém conseguir diagnosticar dislexia e hiperatividade só de olhar, me ensina que eu quero aprender! Isso é coisa de leigo e de pessoas até com boas intenções, mas não é nada profissional, muito menos científico.

 

O mais adequado é não se antecipar aos fatos, demonstrar ética e respeito com o cliente antes de proferir hipótese extremamente inadequada, de mau gosto e bem longe da realidade. Lembre-se da seguinte frase: Em psicanálise e psicopedagogia, nem sempre o que se percebe é o que realmente é.  

 

A regra #2 tem a ver com essa frase, pois não se devem proferir hipóteses sem um mínimo de escuta sobre a queixa. Daí a idéia de “adivinhação” que a mãe da adolescente se referiu.

 

Hipóteses são formuladas com base em três pressupostos: 

1) Saber tudo que puder (sinais, sintomas, indicadores) sobre o problema relatado (queixa);

2) Saber o máximo sobre as características e histórico de quem vive o problema (pessoa);

3) Ter conhecimento teórico e prático sobre os problemas relatados (experiência do profissional);

 

Com base nestes três pressupostos é possível arriscar algumas hipóteses mais condizentes com o que realmente possa ser a causa ou causas do problema a ser investigado. Nada impede que você intua sobre o problema, mas a intuição é sua e não serve como parecer técnico. 

 

A qualidade na formulação das hipóteses irá interferir significativamente na elaboração da estratégia de investigação das causas do problema. Como poderá alguém encontrar algo que está procurando se não tem uma idéia, o mais fiel possível, do que seja o objeto procurado? É como oriento os profissionais que fazem consultoria comigo.

 

E amanhã, a regra de ouro #3 será: “O preparo e escolha da melhor estratégia de investigação psicopedagógica”.

 

Até breve e sucesso!

 

Chafic

www.unicead.com.br



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